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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Porra

Olho para trás e tento compreender
Um caminho já percorrido
E não sei bem quanto ainda falta percorrer
Mas estes apertos no peito já são demasiados
Existem marcas profundas
Daquelas que ficam impressas na alma
Como alguns pneus marcam a estrada
Mas aqui não há alcatrão que disfarce ou substitua
E sinto outra marca a ser feita a ferro e fogo no meu coração
No meu pensamento
Na minha preocupação
O egoísmo de que padeço fica relegado
Apenas tenho uma questão premente
Espero o melhor
O sexto sentido
Ai dele se me mente
Estava disposta a trocar de lugar com alguns
E não permitir certos acontecimentos com outros
Mas tenho a sensação de que quando chegar a noite
Quando pegar numa toalhita desmaquilhante e tirar tudo o que lá apliquei estes anos
O que restar vai ser irreconhecível
E porra! Será que aí poderei finalmente verter o tónico
Sem julgamentos? Sem preocupações?
Para já é tempo de mais um pouco de corretor – de imperfeições como lhe chamam
Espero, do fundo do coração, não ter de fazer mais reforço nesta maquilhagem
Porque sei que serei capaz de o fazer
Sei que resisto a isso e muito mais
Mas custa-me tanto não poder levar também com as marcas de outros
Quero tanto protege-los
Não sei como melhor o fazer
Vou abrindo caminho da melhor forma que acho que pode ser
Que me desculpem se não é suficiente
Gostava de melhor poder proteger

Porra.

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