Existem coisas simples. Muito
simples.
Ir tomar um café, por exemplo.
Basta ir a um café, pedir e
tomar, e depois vir embora.
Mas decido ir de carro porque não
tenho nenhum perto.
O carro avaria. Reparo.
Tenho um acidente. Resolvo.
Abate-se um verdadeiro temporal
apesar do dia soalheiro que estava quando saí de casa. Avanço com muito cuidado
ou até encosto, aguardo que melhore, e depois prossigo.
Chego ao local do café e sou
roubada. Aguento.
Importunada por testemunhas de
Jeová, comerciais disto ou daquilo e ainda ouço uma ou outra boca desagradável
de pessoas que de pessoas têm muito pouco. Aguento.
Estou suja porque reparei o
carro.
Magoada porque me feri no
acidente.
Encharcada e com ar de quem foi
lambida por um cão devido à tempestade que ainda enfrentei enquanto reparava o
carro e resolvia o acidente.
Lisa porque fui roubada – por
acaso tenho uma moeda no bolso das calças que ainda me dá para o café.
E com vontade de gritar, porque
já não suporto ver gente à minha frente, porque tenho receio de que se trate de
um ladrão, um seguidor de uma religião qualquer, ou até um comercial daqueles
mesmo chatos.
Será que ainda tomo café? Será
que tomar café é assim tão simples?
Podia ser mas parece que nunca é.
E acreditem que isto não é uma
versão Mr. Been! A vontade de rir não é nenhuma.