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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Vida maldita ou abençoada



O blog! Um escape, um refúgio do passado e um esquecimento mais recente.

Não posso prometer a regularidade de outros tempos, porque o espírito mudou muito, mas prometo novidades mais frequentes.

A minha vida transformou-se, recentemente, num tsunami. Atingiu-me, deitou-me ao chão e manteve-me lá por muito tempo com ferimentos muito profundos. O que se passou foi a maior tristeza da minha vida. Não há preparação possível para a situação em que me encontrei (e ainda encontro) e neste momento a minha defesa é não refletir demasiado sobre o assunto sob risco de me voltar a atirar para o chão e lá me manter.

Mas não posso fazê-lo. Não posso mesmo. Porque toda esta situação do meu irmão coincidiu com a altura em descobri que estava grávida. Grávida! Uma gravidez há muito desejada que chega no momento mais inesperado…

Uma gravidez que odiei porque me impediu durante semanas a fio de visitar o meu irmão. Contraiu a bactéria da meningite e por mais médicos que a minha mãe/pai/marido abordassem (a meu pedido insistente) a resposta era sempre a mesma: a gravidez é muito recente, os riscos demasiado altos, não autorizo a visita da irmã. Três semanas, TRÊS, em que me senti roída por dentro. Em que ficava no carro a aguardar enquanto outros cumpriam o meu direito, a minha obrigação, o meu desejo, a minha vontade, de tocar no meu irmão, de lhe dizer alguma coisa, de o sentir e de o fazer sentir-me. Tempos muito difíceis. Tempos em que (e esta é das confissões mais difíceis de fazer e, provavelmente, por muitos incompreendida) apenas desejei que me fosse tirada a vida que tenho dentro de mim (pela quase não sentia absolutamente nada) em troca pela vida do meu irmão (sangue do meu sangue e que amo desde que nasci). Queria o meu irmão comigo e estava disposta a tê-lo a qualquer preço. Podia nunca ter filhos desde que não visse os meus pais a viver este sofrimento e não o vivesse eu própria.

Não consegui fazer a gestão da alegria que devia sentir, por concretizar o maior desejo de toda a minha vida, em oposição à tristeza, à amargura, ao sofrimento, da situação do meu irmão.

Chegou o dia da ecografia do primeiro trimestre e consegui finalmente sorrir. Consegui sentir interesse pelo que me estava a ser mostrado – mas sempre com o peso da culpa de não ter o direito de sorrir. Aqui a principal culpada foi a reação do pai que ajudou, e muito, porque a sua felicidade era contagiante. Mas, ainda assim, não sentia ligação ou sequer alguma preocupação em especial.

Ouvi, nessa mesma ecografia, que estava tudo bem, dentro dos parâmetros normais, dentro do que era possível confirmar na altura. E percebi que tinha chegado o momento de partilhar a notícia no local de trabalho. A medo, sem motivo para recear, contei e percebi que o sorriso das pessoas que ficavam a saber era maior que o meu. A alegria sincera, a lágrima no canto do olho, fez-me encarar mais um pouco a realidade mas nunca deixando de a evitar.

Finalmente, não sei bem porquê, acho que não houve acontecimento específico nenhum que pudesse despoletar esta situação, sinto que entretanto comecei a fazer as pazes entre o que se passou com o meu irmão e a vida que estou a gerar dentro de mim. Consigo fazer mimos à barriga na ténue esperança de que o bebé os sinta e até me começo a preocupar com a altura em que devo dar-lhe a chupeta pela primeira vez. Olho para a barriga e percebo que tenho aquele que será o maior amor da minha vida independentemente de toda a merda que possa acontecer a toda a volta. E todos sabemos que não devemos deixar passar o amor da nossa vida sem a devida atenção.

O meu irmão faleceu. Sinto que o que fiz não foi suficiente; tenho a sensação de que fui cega a algum pormenor que o podia ter salvado. Mas reconforto-me com o facto de saber que parou de sofrer e foi para um lugar, que acredito ser, melhor. Nunca na minha vida experienciei uma dor tão profunda, um sofrimento tão desesperante mesmo com o conforto de saber que foi o melhor que lhe podia ter acontecido. Sei que tenho que me despedir dele mas é tudo ainda demasiado recente. Sinto um luto que não compreendia e uma saudade que ainda me surpreende. Restam-me as lembranças, as gargalhadas e as lágrimas, os abraços e as chatices que vivemos e que não me cansarei de relembrar.

E vale-me o facto de conseguir cumprir o que mais me pediu nos últimos anos: um/a sobrinho/a que ao longo da sua vida vai ouvir falar muito sobre o tio A. (maluco) que não conhecerá pessoalmente mas do qual saberá muitas histórias.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Corro... a ouvir o quê? #4 Guns N' Roses - Welcome To The Jungle





Guns foram uma daquelas bandas muito presentes na minha infância e adolescência. Lembro de ver os discos em vinil desta banda que manuseava com o maior dos cuidados para evitar um raspanete do meu irmão. 

Lembro-me da minha mãe reclamar pelo volume demasiado alto e chamar-lhe “chincralheira”. E de pensar que isto era música.

Ainda hoje, quando ouço, entre outras, esta música do Guns N’ Roses sinto aquela emoção a correr-me nas veias, as mãos a tocarem uma bateria imaginária, e os olhos fechados – enquanto aproveito para abanar o capacete – porque só desta forma é possível sentir verdadeiramente.

Ou então, em alternativa, não faço nada disto; apenas tento respirar, ganhar energia, dar mais um bocadinho de mim – a correr.

Meus senhores e minhas senhoras mais uma música que dispensa qualquer tipo de apresentação. Olhos fechados – para abanar o capacete como deve ser -  e bateria – guitarra também é uma boa alternativa! – imaginária. Curtam valente.




domingo, 8 de junho de 2014

Memórias #19 N.O.R.E. ft. Tego Calderon & Nina Sky - Oye Mi Canto
















Aqui há dias ouvi na rádio: “E lembraste desta?”

E lembrei-me sim senhor! E gostei de me lembrar! Pus logo o Shazam ao serviço (as maravilhas das novas tecnologias!) e pumba… aí está ela:

E porque o fim-de-semana ainda nem a meio vai desafio toda a gente a ouvir esta música e a não mexer, mesmo que involuntariamente, alguma parte do corpo. E não falo das partes necessárias para a parar/desligar, porque ninguém vai querer faze-lo…