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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

C’a grande tanga



A miúda tem-me dado tanga como gente grande. Comer tem sido uma verdadeira incógnita. Alimentos que sempre comeu super bem agora nem quer provar e fico meio desorientada/perdida.

Tivemos recentemente duas grandes fitas por causa de uvas. Ela sempre adorou uvas e assim, de repente, NÃAAAAAAAAAAAAAAOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!! Como se fosse veneno. Com insistência, e mais algumas brancas para a mãe, acaba por ceder e depois nem está interessada em partilhar mas até lá envelhece-me.

Para reforço de um dia destes no colégio decidi mandar pão com fiambre. Mas engendrei uma forma de o fazer mais atrativo – ou pelo menos pensava que sim.

Fica a sugestão:

Enrolarinho de fiambre

Peguei numa fatia de pão (balance, da marca continente) e cortei as aparas. Depois, com um rolo da massa, espalmei o máximo que consegui. Coloquei uma fatia de fiambre e enrolei. Depois embrulhei em papel aderente e deixei algum tempo a fixar forma.
Depois cortei fatias, e orgulhosamente guardei para levar, com este aspeto:



Pensava que aquilo ia voar em menos de nada mas chegou a casa quase como foi. Senhora chique e esquisita q.b. entusiasmou-se aos primeiros dois pedaços mas depois deu uso à sua palavra preferida: Não!

Quando, acabada de chegar a casa, me deparei com o tupperware quase inalterado apeteceu-me dar outro uso ao rolo da massa. Respirei fundo, para me munir de uma dose de paciência extra e ofereci-lhe um pedaço; ela nem ui, nem ai, comeu tudinho sem um não, sem uma reclamação. 

Agora digam-se que a moça não é uma grande tangueira.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Delícias da maternidade #8



Com 1,5 anos uma criança ainda não devia ter grande compreensão daquilo que é dito em seu redor mas a minha filha está a provar-me o contrário.

Desde sempre que a miúda tem um apetite voraz. Marcha tudo o que lhe é colocado à frente sem discussão. Demos por nós, em várias refeições, a comer a um ritmo bastante acelerado porque independentemente da quantidade que lhe fosse colocada à frente enquanto via comida no prato de alguém tinha sempre de haver mais para ela.

Para já controlo maioritariamente o que ela come mas já sofria por antecipação o dia em que ela começasse a comer as coisas que para já não permito mas que sabem bem demais. Açúcar, fritos, fast food, chocolate… já imaginava a miúda a aspirar tudo ao ritmo do último modelo de aspiradores. 

Na última consulta com a pediatra, em tom de brincadeira, até perguntei se não havia alguma coisa para controlar o apetite da rapariga (e o mau feitio mas não vou falar disso agora).

E é assim que a minha filha decide: ai é? Ai achas que como demais? Então vou mostrar-te o outro lado da L.!

O lado do especial mau feitio, da birra, e do não comer. Que a moça passou-me de comer tudo em menos de nada para mais de uma hora e meia para comer duas colheres de sopa. Não estou habituada a isto (tal como não estou habituada às noites a correr do meu quarto para o dela – que agora também lhe deu para acordar 50.314 vezes por noite) e não estou a gostar.

Mal sente a ponta da colher na boca: prova, faz má cara, e não gosta porque não gosta. Não quer porque não quer. Faz birra porque sim. Tenta atirar o prato para o chão. Atira a colher para o chão. E continua por aí fora.

Manter-me firme face a este comportamento é difícil. Até porque ela não está para a sopa mas pisca o olho à comida. E eu não coaduno com esta esperteza bacoca. Mas que é cansativo é. Ontem foi notório o momento em que desistiu. Baixou os ombros e abriu a boca até ao fim sem refilar. Antes disso conseguiu descabelar mãe e pai.

Pergunto-me se adotámos a postura correta. Se é assim que deve ser. Sinto que se facilitasse e lhe desse comida sem comer sopa ia ter o mesmo filme por tempo indeterminado.

Por outro lado se começa a ser assim todos os dias sou capaz de ter um colapso nervoso antes do planeado.

Vamos ver como corre em diante.

(Para melhorar o meu estado de espírito ainda me dizem que no colégio come tudo e bem. Não demonstra o mesmo apetite, tipo: deslarguem-me que senão vou-me ao prato de comida mais próximo!, mas come sem filmes. Chavala teimosa como um raio é o que é!)

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Natal à vista… ou ofusca a vista



Natal com tudo o que lhe é apanágio: as árvores surgem como cogumelos, são luzes e mais luzes por todo o lado. No rádio, televisão, revistas, é só publicidade ao presente de natal perfeito. Até o Canal Panda enjoa com TANTA publicidade de brinquedos.

Desde meados de outubro que vi várias contagens decrescentes, vi as luzes timidamente a aparecerem aqui e acolá. Parece-me que daqui a nada começamos as decorações de natal lá para meados de fevereiro.

Um bocadinho demais… para quem não tem apetite nenhum de natal. Para quem passa o tempo a tentar ver as coisas pelo lado positivo mas lhe faltam coisas mais importantes que a mais bela árvore de natal da Europa e arredores tudo isto parece supérfluo. 

Para quem tem amigos a passar as passas do Algarve e passa noites com dificuldades em dormir devido a preocupações o natal é cada vez mais relativo.

E a verdade é que este êxtase todo em torno de algo que ainda demora mais de um mês a chegar me parece demasiado.

Sim, tenho uma filha, e, sim, vou fazer a árvore de natal. E apesar de para mim ela não ter muita noção do que é tudo isto quero que guarde mais uma memória agradável e bonita. Quero que associe o natal ao quentinho do amor dos pais e todos os outros que gostam dela. Quero que ela sorria ao pensar que é mais algum tempo que temos em família. Mas é isso. E “só isso” torna-se difícil quando é tudo tão comercial. O natal é receber prendas, é fazer compras, é trocar isto por aquilo, e acho que não devia ser.

Toda esta histeria em volta do natal é um bocadinho cansativa… e já não tenho pachorra. Sobretudo para ver o canal Panda com a miúda… 

Se houvesse um botãozinho para dar um saltito para o lado de lá destas festas eu acho que ia lá carregar.



(Além disso só serve para comer como uma lontra e engordar em meia dúzia de dias o que demoro meses a emagrecer!)