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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

É só uma piada



Quando julgo que já toda a gente viu a minha “nova” figura surpreendo-me ao encontrar alguém que afinal me tinha visto apenas no “antes”.

Durante as férias isso aconteceu com algumas pessoas e voltei a levar uns afagos no ego. Tive até uma pessoa que me disse: S. estás mesmo magrinha!

Menos, muito menos! Mais magra sim mas daí até magrinha – pensamento utópico. Dá sempre para ficar com aquele sorriso estúpido e com uma força extra para continuar no caminho que quero.

Depois existem pessoas que, mesmo sendo magras – logo, mais magras que eu -, devem começar a sentir uma espécie de mau estar no cotovelo. E lançam aquele olhar de quem tira a ficha completa. Acabam por perguntar com ar presunçoso acerca da forma como consegui a mudança. A resposta é a mesma de sempre: alimentação e desporto. E do outro lado vem aquele olhar de sim, sim, pois! Engana-me que eu gosto.

E depois disto há conversa, que ocorre com frequência, e que sempre começada pela outra pessoa mais ou menos desta forma:

- Eu não quero emagrecer mas queria assim… não sei explicar.

- Ficar com o corpo mais definido?

- Sim, isso mesmo. Entendes-me!

- A única solução que estou a ver é mesmo exercício físico. E alimentação cuidada e que promova o aumento da massa muscular.

- Tu quando é que fases exercício?

- Vou quase todos os dias ao ginásio antes do trabalho e quando posso dou umas corridas.

- Eu não tenho dinheiro para ginásio.

(Geralmente este comentário vem acompanhado de um olhar que nem sei adjetivar e começo logo a ferver por dentro….)

- Felizmente não é obrigatório pagar ginásio para fazer desporto. Ainda tens a vantagem de viver muito perto da praia. Tens uma ótima marginal para caminhar ou correr; tens equipamentos de exercícios ao longo da marginal se quiseres; e chegas a casa e podes fazer, por exemplo, uns abdominais e agachamentos e está feito.

Regra geral é remédio santo para a pessoa se remeter ao silêncio. Como se as minhas opções financeiras fossem justificação para outra pessoa fazer ou não uma determinada escolha na sua vida.

Depois há a questão do eu não tenho tempo. Eu também não tinha. Noutros tempos passei anos a pagar ginásio sem lá pôr os pés meses e meses. Neste momento é dos melhores investimentos mensais que faço. Percebi que comprometer-me a ir ao ginásio ao final do dia não era solução para mim. Um dia porque ficava no escritório até mais tarde, outro por causa do jantar, outro por causa da roupa, outro para fazer compras, outro porque tinha de ir aos meus pais, outro por outro motivo qualquer. Os dias iam passando e (pelo menos no meu caso) quando começo a deixar de ir ao ginásio é muito fácil simplesmente esquecer-me dele. O facto de ir de manhã simplesmente não interfere com todas as tarefas que tenho de conciliar ao longo do dia. E essa é a minha solução atual.

Quanto a esta dúvida, que sinto em algumas pessoas, relativamente à forma como estou a emagrecer, faz-me rir. Porque esperam facilitismos ou então justificações inalcançáveis para o mais comum dos mortais. É sempre mais fácil dizer “ela só conseguiu porque _______________.” (preencher a gosto mas geralmente é: se entope de medicamentos; fez cirurgias; não come; tem dinheiro para massagens e cremes e…; ….).

Aqui não há desculpa – digo eu, especialista veterana em arranjar desculpas para deixar de fazer estas coisas – porque toda a gente tem uma estrada para correr ou caminhar; toda a gente tem um chão para uns abdominais, agachamentos, o que for.

Muitos anos neguei a mim mesma a obrigação de tomar conta de mim com base nestas desculpas esfarrapadas. O facto de ter ortopedistas que me diziam que não podia sentir dor na prática de desporto era um ótimo bode expiatório para trocar os ténis pelo sofá.

Comecei com as corridas em Setembro de 2013 e inscrevi-me no ginásio em Janeiro de 2014. Nunca tive tão poucas dores de costas e joelhos como agora. Por outro lado tenho muitas dores musculares – como agora que até me custa teclar! –, mas é das melhores sensações que podem existir. Não posso esquecer a felicidade e melhor relação como própria que me trouxe esta mudança.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Férias com muita coisa boa mas sem aumento de peso



Com as férias a aproximarem-se – FINALMENTE!!! – uma das minhas principais preocupações começa a chegar-me à memória: a necessidade de não deitar por terra todos os esforços/sacrifícios feitos. O que consegui alcançar saiu-me, literalmente, do corpo. Não foi sangue, saliva e suor – apenas suor! - mas por vezes pareceu que sim e por isso não posso simplesmente destruir o castelo para recomeça-lo de um buraco cada vez mais fundo.

Pela minha experiência a inércia é a principal culpada deste descalabre. Dedico-me ao lazer, ao descanso e à falta de horários em tudo; férias não são associadas a sacrifícios sejam de ordem for e geralmente acabam com mais uns 5Kg em cima. Pois que este ano não poderei permiti-lo.

Estive a inteirar-me de dicas, sugestões, planos, para evitar o retrocesso neste caminho percorrido. E como não sou gulosa – só com marisco e sushi! – partilho aqui para ajudar quem estiver interessado.

Posto isto, temos em primeiro lugar uma regra de ouro que se aplica tanto durante as férias como no resto do ano: não passar fome. Não passar horas e horas sem comer e depois virar bicho e simplesmente engolir tudo o que aparece à frente como se o mundo fosse acabar dali a duas horas. Manter uma periodicidade – idealmente de 3 em 3 horas - de refeições/snacks ao longo do dia para não permitir esta oscilação tão grande entre fome e enfartamento. Passar muito tempo sem comer faz com que o metabolismo desacelere, haja poupança de recursos e depois o que é ingerido vai diretamente para onde não queremos: barriga e ancas.

Esta questão distingue-se, naturalmente, do estar sempre a comer, a petiscar, a trincar; o vício de estar sempre a comer alguma coisa é igualmente negativo. Razoabilidade é a chave do sucesso.


A bola de Berlim e o gelado têm de ser permitidos mas sem entrar em gulodices desenfreadas – razoabilidade. Nem sempre; nem nunca.

Tentar acompanhar as refeições com muitos vegetais. Legumes e saladas variadas é o ideal. Quem não adora um peixinho grelhado – com molho de manteiga, mas isso agora não se diz – e uma saladinha numa noite de Verão com a pelo já dourada e devidamente hidratada? E aproveitar para consumir alimentos que potenciam a cor da pele – folhas verdes (como espinafres e rúcula), cenoura, bróculos.

Muita água – 1,5 a 3lt por dia - e chá frio; limonadas sem açúcar; consumo de álcool moderado e nadica de nada de refrigerantes. Uma cerveja por dia não faz o mal que se imagina; é melhor uma cerveja que uma coca-cola. Ênfase para uma.



Estamos conversados sobre comida? Ok, o outro ponto é:

Não fazer a ponta de um corno – não pode ser. A atividade física pode, facilmente, ser associada a diversão e por isso é possível divertirmo-nos e simultaneamente fazermos bem ao corpo. Mimimi… e não vale queixinhas. Uma caminhada na praia, uma corrida, um vólei, umas braçadas no mar ou piscina – name it! Não faltam alternativas. O melhor disto tudo é que ao apostar neste tipo de atividades a energia vai ser redobrada assim como a disposição e, automaticamente, o bem-estar geral. Meia horinha por dia e o coração agradece assim como tudo o resto.

Simples, certo!? Receita para ser mais feliz nas férias...  


Para quem ainda não está nesta fase não se apoquente; antes de darem por isso já estão no merecido descanso a aproveitar o sol e a comer tremoços acompanhados de bjecas! 
 

domingo, 29 de junho de 2014

Sem me aperceber terei deixado de ser estranha?



Ninguém me dizia diretamente, mas tenho-me apercebido, de que era considerada por muitos uma ave rara. Pessoa estranha que dificilmente dirigia a palavra a alguém. Olhos no chão até ao destino definido sem qualquer tipo de distração ou interrupção.

Aparentemente, sem dar por isso, comecei a alterar comportamentos, a falar com pessoas (como não fazia), a ter um ar mais simpático e comunicativo. É o que me têm dito. E eu não consigo perceber.

Para mim isto mostra muita incompreensão. E sinto-me capaz de acusar alguns (os mais próximos) de hipocrisia. Aquilo que eu pensava que entendiam como timidez na realidade era entendido como arrogância.

- Tu não falavas para ninguém.

- Uma coisa é ser envergonhada. Outra coisa é ser como tu eras.

- Tu eras mesmo estranha.

São coisas que me têm sido ditas nos últimos tempos. E eu fico surpreendida porque não fazia ideia de que era vista assim. E refiro-me a pessoas muito próximas de mim, porque aquelas que conheço de vista, sinceramente, é-me indiferente a imagem que têm de mim.

A questão que agora me coloco é se as pessoas que agora partilham esta opinião, após a mudança, não deviam tê-lo feito anteriormente, sendo sinceras comigo e alertando-me para estes factos.

Desde há uns anos percebi que tinha um grande handicap. A comunicação, o contacto com os outros. Sempre fui mais de estar em casa, mais isolada, às vezes até escondida e sinto tudo isto a mudar. Sinto mais confiança em mim própria. 

Tenho feito por alterar esta situação e lentamente penso que estou a consegui-lo. E muitos anos de psicoterapia também têm ajudado. Acho que finalmente começo a reconhecer que tenho um lugar no mundo e que não ando aqui por favor evitando tudo e todos sob o risco de incomodar alguém.

Olhando para trás até sou capaz de dizer que as pessoas que me dizem agora que eu era estranha tiveram muita influência nesses traços da minha personalidade.