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Memórias #13


Ano 2010, aproximação do dia de casamento. Quase sempre que estava com a minha mãe, uma grande preocupação que mostrava era a postura que eu teria no dia do casamento.

Um vestido que lhe caiu no goto, mas uma filha terrível, com problemas nas costas desde miúda e com muita tendência para costas curvadas com corcunda à mostra, como manda a sapatilha.

Acredito que a senhora minha mãe passou noites em claro a pensar na forma de ultrapassar este obstáculo de grande importância para o sucesso do dia do meu casamento.

Um belo e marcante dia chegou mesmo a criar uma palavra passe.. gaivota! Gaivota era a palavra que no caso de ser pronunciada pela minha mãe eu acederia a dar um esticanço às costas, e a ficar direitinha como um fuso…

Basicamente eu andava a passear descansadinha da vida entre os convidados de mão dada com o meu marido, mas com esta postura:

 


E a minha mãe (sempre atenta) gritava, tossia, disfarçava: GAIVOTA!

E eu:

 


Se fosse hoje, acho que ela ficava orgulhosa de mim. Com esta dor que me cobre quase todo o corpo e uma parte da alma, com um caminhar novo, ela só pensaria: a minha filha parece uma

(só em nota de rodapé, pelo menos que me lembre a minha mãe não usou a uma palavra-passe nem uma vez naquele dia. Não sei se ela estava demasiado distraída ou se eu andava direitinha como quem anda à procura de alguma coisa acima da multidão…)

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