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Delícias da maternidade #8



Com 1,5 anos uma criança ainda não devia ter grande compreensão daquilo que é dito em seu redor mas a minha filha está a provar-me o contrário.

Desde sempre que a miúda tem um apetite voraz. Marcha tudo o que lhe é colocado à frente sem discussão. Demos por nós, em várias refeições, a comer a um ritmo bastante acelerado porque independentemente da quantidade que lhe fosse colocada à frente enquanto via comida no prato de alguém tinha sempre de haver mais para ela.

Para já controlo maioritariamente o que ela come mas já sofria por antecipação o dia em que ela começasse a comer as coisas que para já não permito mas que sabem bem demais. Açúcar, fritos, fast food, chocolate… já imaginava a miúda a aspirar tudo ao ritmo do último modelo de aspiradores. 

Na última consulta com a pediatra, em tom de brincadeira, até perguntei se não havia alguma coisa para controlar o apetite da rapariga (e o mau feitio mas não vou falar disso agora).

E é assim que a minha filha decide: ai é? Ai achas que como demais? Então vou mostrar-te o outro lado da L.!

O lado do especial mau feitio, da birra, e do não comer. Que a moça passou-me de comer tudo em menos de nada para mais de uma hora e meia para comer duas colheres de sopa. Não estou habituada a isto (tal como não estou habituada às noites a correr do meu quarto para o dela – que agora também lhe deu para acordar 50.314 vezes por noite) e não estou a gostar.

Mal sente a ponta da colher na boca: prova, faz má cara, e não gosta porque não gosta. Não quer porque não quer. Faz birra porque sim. Tenta atirar o prato para o chão. Atira a colher para o chão. E continua por aí fora.

Manter-me firme face a este comportamento é difícil. Até porque ela não está para a sopa mas pisca o olho à comida. E eu não coaduno com esta esperteza bacoca. Mas que é cansativo é. Ontem foi notório o momento em que desistiu. Baixou os ombros e abriu a boca até ao fim sem refilar. Antes disso conseguiu descabelar mãe e pai.

Pergunto-me se adotámos a postura correta. Se é assim que deve ser. Sinto que se facilitasse e lhe desse comida sem comer sopa ia ter o mesmo filme por tempo indeterminado.

Por outro lado se começa a ser assim todos os dias sou capaz de ter um colapso nervoso antes do planeado.

Vamos ver como corre em diante.

(Para melhorar o meu estado de espírito ainda me dizem que no colégio come tudo e bem. Não demonstra o mesmo apetite, tipo: deslarguem-me que senão vou-me ao prato de comida mais próximo!, mas come sem filmes. Chavala teimosa como um raio é o que é!)

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