Avançar para o conteúdo principal

Quanto mais o tempo passa mais me identifico com isto



A estada no hospital e os primeiros dias em casa após o parto afiguram-se-me como dias ali a pairar entre o sonho e o pesadelo.
A possibilidade de tudo isto se traduzir a uma romaria de entra e sai e opiniões de todos a quem não se pergunta nada é coisa para me dar urticária nervosa antecipada.
À exceção dos médicos e/ou enfermeiros não quero saber se o meu leite não presta, se os pontos foram muitos ou poucos, se fui piegas ou corajosa, se pego bem ou mal na bebé, muito ou pouco… nada! Não quero saber nada! Ou melhor, quando quiser saber terei a humildade de perguntar. Quando precisar de ajuda terei a humildade de pedir!
Sobretudo quem já teve filhos deverá ter a sensibilidade de perceber quando precisamos de momentos a três (entenda-se meu, do pai e da bebé). Porque é o nosso momento. São meses a aguardar o momento do nascimento da nossa filha e queremos guardar tudo no nosso coração e memória, queremos partilhar momentos só nossos, e precisamos de privacidade e intimidade para o fazer.
Parece que por vezes muitas pessoas têm dificuldade em perceber que a bebé não se vai esfumar de um momento para o outro. E parece que acham que têm o direito de estar tanto com ela como nós que somos pais. Não têm!
E isto já para não falar no desconforto e cansaço sobretudo da mãe. Trouxe uma criança ao mundo. Provavelmente nas primeiras horas/dias tudo terá uma dificuldade física acrescida. Precisa que o intestino trabalhe, que o ar todo que estava preenchido pelo bebé também saia (não, as senhoras não dão puns, à exceção do pós-parto), precisa de descansar nos momentos em que o bebé o permite… e se é um entra e sai que não acaba… não é preciso explicar mais nada pois não?
Tirarem-me a bebé dos meus braços ou tentarem acorda-la quando está a dormir é coisa para deitar cá para fora o pior lado de mim. Ativem os meus sensores de proteção leonina e é melhor fugirem!
O curso de preparação para o parto tem sido muito elucidativo no que a esse assunto diz respeito e é por isso que cada vez sinto mais o que encontrei aqui:

"Então vamos cá recapitular – No Hospital:

– Não aparecer no hospital sem avisar;
– Não respirar para cima do recém nascido;
– Lave as mãos e desinfecte. Não questione;
– Não ousar pegar, tocar, fazer o que quer que seja com a criança sem pedir autorização – não é um nenuco, é um recém nascido;
– Não beijar as mãos do bebé. Não questione;
– Não ficar mais do que 15 minutos;
– Nunca tirar o bebé do colo da mãe ou do pai (sob pena de não voltar a colocar-lhe as mãos em cima até ter 18 anos);
– NUNCA, NUNCA ir em rancho ( 20 pessoas, com o objectivo de ocupar toda a tarde de visitas – as visitas são isso mesmo, chegar, olhar, conversar e sair – curto e simples – qualquer atitude contrária será notada como uma tremenda falta de respeito);
– A mãe vai dar de mamar? Respeite o espaço. Nem toda a intimidade do mundo lhe dá a liberdade de ficar embasbacado/a a olhar. É um momento intimo. Não obrigue a criatura a pô-lo/a a andar do quarto. Respeite;
– Guarde as suas crises, artroses, desgraças, queixumes, para outra altura. O momento é do Pai, da Mãe e do bebé;
– GUARDE OS PALPITES E AS OPINIÕES PARA SI.
Aparte disto acho que seremos todos muito felizes ;)
Respeite se quer ser respeitado. Oiça se quiser ser ouvido(a)."


Comentários

  1. Eu optei por não ter visitas no hospital e também informei que seríamos nós a visitar as pessoas a seu tempo (as mais próximas vieram a nossa casa mas foi combinado). Algumas pessoas só o conheceram quando já tinha um mês de idade e correu muito bem assim ;) Ninguém ripostou, talvez porque tenho cara de má :D

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Cara de má dá imenso jeito nesta altura. Acho que as pessoas terão de ser compreensivas independentemente da nossa decisão. A prioridade é o bem-estar da bebé e quem não compreender também não merece a nossa preocupação. A ideia passará por restringir as visitas a um grupo muito reduzido mas logo desabafo tudo por cá! :)

      Eliminar
  2. Acho que tens razão em pensar dessa forma, por todas as razões que apresentaste! ;) claro que será bonito ver a família conhecer o mais novo elemento! Mas não tem que ser logo depois do parto... :P
    Boa sorte com tudo!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Espero ter essa compreensão por parte das pessoas... mas pelo que tenho lido por aí... vamos ver! Na pior das hipóteses venho cá desabafar tudo para não explodir. :P
      Obrigada BB! Beijinhos

      Eliminar

Enviar um comentário