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Há coisas para as quais nunca estamos preparados

Toda esta experiência com o meu irmão tem sido uma verdadeira bofetada que sinceramente não esperava. Já tive várias situações complicadas ao longo da vida mas nunca senti o mesmo desespero que nesta. O meu irmão tem atualmente 35 anos. Uma forma de estar na vida e de ver as coisas completamente diferente da minha. Rapaz comunicativo que deve ultrapassar todos os recordes de cumprimentos numa curta distância (a pé ou de carro) percorrida. Detentor de um feitio muito especial que muitas vezes me dava gana de lhe pregar dois estalos para abrir os olhos para a realidade (apesar de ser cerca de 3 anos mais nova que ele). Amigo. Honesto. Trabalhador (atualmente porque teve a sua adolescência problemática que incluía muitas aflições nesta área). Mas acima de tudo, e no que me diz respeito, é meu irmão. E é apenas pouco mais de 3 anos mais velho que eu. E se há coisa que nunca ponderei – e acreditem que penso muito, em tudo, sob todos os ponto de vista – foi vê-lo numa cama, completa...

Para já está assim

Pasma-me a forma como tantas coisas tinham tanto interesse e agora não têm interesse nenhum. Não me apetece nada e ponto. Tudo me parece envolvido por uma camada de futilidade extra. Tenho vontade de escrever mas simultaneamente parece que não tenho nada a dizer. Pode ser que entretanto mude. Para já só quero gritar… gritar incompreensão e injustiça. Quanto a escrever – o tempo o dirá. Aproveito ainda para agradecer todas as palavras de apoio e conforto dos últimos dias. Obrigada.

O pior pesadelo da minha vida

Poderia optar por não mencionar no blogue o que se está a passar atualmente na minha vida. Mas a verdade é que, como já mencionei, esta é a página em branco que está sempre disponível para os meus desabafos. Como mantenho o anonimato no blogue penso que a privacidade acaba por se manter. Quem me conhece e acompanha o blogue penso que não terá qualquer surpresa relativamente ao que possa aqui ler. Ver um irmão que sempre foi saudável internado no hospital de urgência. Em algumas semanas passar de uma glândula no cérebro de fácil extração para um tumor quase inoperável. Mais de 10 horas no bloco operatório. E menos de 48 horas depois vê-lo em coma. Ver uma mãe com muito pouca saúde despedaçada e cheia de medo de perder o filho - não querendo acreditar nessa possibilidade mas não conseguindo deixar de a considerar. O sofrimento de quem já perdeu demais, já sofreu muito mais do que merece e apenas daria tudo para trocar de lugar com o filho. Ver um pai com uma saúde de...